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Até hoje, dia 8 janeiro 2014, como Presidente República, Primeiro Ministro e Ministro das Finanças, Cavaco Silva está no poder há 6908 dias (18 anos e 339 dias). .

Agora temos, ao menos, este auxílio: Um relógio com a contagem decrescente para a libertação final!!

Agradecemos ao CDS-PP ter dado a ideia do relógio com contagem decrescente!

Este contador assume que o mandato de Cavaco terminará a 29 de Fevereiro de 2016 (para nosso azar, 2016 é ano bissexto)


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Entrevista fundamental

Segunda-feira, 24.09.12

 

Maria João Rodrigues: "Bruxelas não recebe toda a verdade"

Excertos:

Que avaliação faz à condução do programa de ajustamento por parte deste Governo?
O Governo, e no fundo o país por arrasto, não está a tirar partido da evolução recente do quadro europeu para apresentar uma estratégia mais eficaz para resolver o problema português. Houve mudanças muito importantes nos últimos meses. Reconheceu-se que é preciso reduzir os custos de financiamento dos Estados e das empresas e evitar a queda em espirais recessivas. Daí haver estes novos mecanismos ao nível do BCE e o mecanismo europeu, que será permanente. Reconheceu-se que é preciso reequilibrar o esforço de consolidação orçamental, mas dando ênfase às estratégias de saída, à prioridade do crescimento, da criação de emprego e do investimento.

É uma ameaça ao ajustamento?
Sem crescimento é muito, muito difícil reduzir a dívida. Ninguém se iluda. A terceira grande mudança, que aparece nas conclusões oficiais do Conselho, é que a própria consolidação orçamental deve ser feita de forma amigável em relação ao crescimento. Não se pode estar a liquidar empresas viáveis, empregos viáveis. Deve-se manter um esforço de investimento seletivo e focalizado nos fatores de futuro, como sejam a Educação, apoio a empresas inovadoras, tecnologias verdes. Este é o novo quadro europeu.

E, nesse plano, o Governo não está a fazer nada?
Nada que se veja e que marque lá fora, sinceramente. Portugal devia aparecer com uma estratégia de saída da sua crise assente em três prioridades que se reforçam mutuamente. Primeiro: reduzir os custos de financiamento, tirando partido de todos os instrumentos que estão à sua disposição agora. Os novos instrumentos do mecanismo europeu permanente e os novos instrumentos do BCE. Isso tem de ser explorado a fundo. Segunda prioridade: ter uma verdadeira estratégia de investimento e crescimento, clarificando em que áreas se quer apostar e apresentando uma carteira de projetos para mobilizar instrumentos que também vão estar disponíveis...

E devia fazê-lo já?
Imediatamente. Há instrumentos que vão estar disponíveis que devem ser utilizados de outra maneira.

O que podia ser feito?
Estudar outra forma de combinar fundos estruturais com o Banco Europeu de Investimento e temos de ser os primeiros candidatos àquilo a que se chama de project bonds em áreas em que Portugal tem efetivamente potencial. E a terceira prioridade é a consolidação orçamental. Saber reduzir despesa onde há margem.

(...)

Conhece bem o pensamento nas instituições europeias. Em Bruxelas, apoia-se esta medida [TSU]?
Tem de se ter muito cuidado na forma de lidar com a União Europeia porque ela não é uma coisa monolítica. Há muitas diferenças de posição e há uma evolução de posições em qualquer das instituições europeias, garanto-lhe. Na Comissão Europeia, no Conselho Europeu, nos Conselhos de Ministros, no Parlamento Europeu. Nós, Portugal, como ator europeu que somos, temos a obrigação de saber fazer política europeia ao mais alto nível. E, já agora, tirar partido desse debate de modo a abrir caminho até às soluções que são mais indicadas para resolver os nossos problemas, os de agora e os a prazo. Ainda por cima um país que tantas cartas tem dado nos últimos anos para a construção do projeto europeu. Somos muito respeitados por isso, mas temo que estejamos a deixar desvanecer esses créditos.

O Governo não quis negociar alternativas à TSU ao mais alto nível?
Aparentemente, não. Se pegarmos neste caso concreto, estou absolutamente convencida de que é uma medida altamente polémica nas instituições europeias.

Dentro da própria Comissão?
Sim. Porque a medida assenta nessa ultrapassagem dos mecanismos normais da negociação coletiva, que são um pilar fortíssimo da tradição europeia. Mas também porque a medida da TSU opera uma escolha estratégica que contraria a opção estratégica da UE. As grandes linhas aprovadas para o crescimento e o emprego. É bom lembrar que a UE fez uma opção em 2000, com o apoio de todos os Estados, e reafirmada em 2010, em que disse: nós somos um continente que fará face à globalização, reforçando a sua competitividade com base na qualificação das pessoas, na inovação e na capacidade criativa dos seus cidadãos. Esta é a nossa estratégia, a escolha foi feita. E foi pedido a todos os Estados membro que atuassem em conformidade.

E Portugal é um dissidente agora?
Portugal não está a tirar partido desse compromisso. Nós, como Estado membro signatário, também queremos ir por aí. E não queremos ser empurrados para uma condição de reserva de mão de obra barata a nível europeu.

Mas tenho de insistir. O Governo está adormecido quanto a isso, não quer, não pode?
As opções de Portugal estão a ser enfraquecidas em várias áreas, tenho a certeza. Há uma perda de velocidade nessa transição que Portugal estava a operar em áreas como a economia verde, a inovação, que não pode ser. Portugal é uma pequena economia e, como tal, tem de fazer rapidamente uma aposta clara nas áreas em que tem potencial e em volta disso organizar clusters de inovação. É preciso dizer que essa abordagem nunca teve a força suficiente. Sou bastante crítica quanto a isso, mas agora está ultra enfraquecida. E isto num contexto em que há outros países que estão a avançar nisso. A Irlanda está a fazer progressos nisso. Portugal não se pode deixar ficar para trás.

Pode dar um exemplo de cluster?
Ligar a reabilitação urbana às indústrias eólicas e de painéis solares. É óbvio. Essa seria uma âncora evidente para a economia.

Não há plano coerente, organizado, para esse sector?
Que eu saiba, não. Esse e outros. Numa situação financeira como aquela que o país vive atualmente, o que há a fazer é identificar uma carteira de projetos suscetíveis de atrair os instrumentos financeiros que estão agora disponíveis, e que em simultâneo alavanque o país num modelo de crescimento com futuro. A reabilitação urbana ligada às energias verdes é dos melhores exemplos para Portugal. O país tem um potencial evidente nessas energias – solar e eólica – e ao mesmo tempo tem uma mão-de-obra disponível no sector da construção que tem de ser aproveitada para novas atividades sob pena de ficar como desemprego estrutural.

Numa lógica europeia, Portugal deveria avançar sozinho ou devia formar alianças com outros países?
Depende. Há exemplos em que o ideal é formar alianças. Espanha será sempre o aliado natural. Para poder utilizar fundos estruturais que possam servir de ativo de garantia para alavancar empréstimos do Banco Europeu de Investimento, por exemplo. Convém ser em cooperação com outros países. Esta possibilidade ainda não está ativa, mas quando estiver convinha que Portugal já estivesse preparado e articulado com outros parceiros para beneficiar dela.


(...)

A ideologia anula o potencial de negociação previsto no quadro europeu?
Conheço Jean-Claude Juncker [presidente do Eurogrupo], Olli Rehn [comissário europeu dos Assuntos Económicos]e Herman van Rompuy [presidente do Conselho Europeu]. Sei como eles pensam e eles também me conhecem. Estamos a falar de pessoas que estão longe do país, não vivem aqui, e que portanto dependem da informação que lhes chega. Sinceramente, julgo que não estão a receber informação suficiente sobre a verdadeira situação em que está Portugal e sobre os desafios que se impõem.

Mas a missão da troika sabe a verdade acerca do país.
Os elementos da missão são funcionários de quarta linha das instituições, executantes das linhas de políticas que, é preciso ver, não são definidas por eles. Não são os presidentes... As políticas são discutidas e definidas nos vértices das instituições.

No Governo, quem incarna a corrente de pensamento de que fala é o ministro das Finanças, o primeiro-ministro?
Não quero personalizar. Mas as pessoas identificam facilmente. Só digo que há uma corrente que está absolutamente convencida de que o caminho só pode ser esse.

Estamos a falar de pessoas com preparação técnica. O caso do ministro das Finanças...
Mas isto não é um problema de preparação técnica. É convicção baseada numa escola de pensamento. Estão convencidos de que o país precisa de um choque liberal.


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por sitiocomvistasobreacidade às 14:21








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