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Salgado e a construção de obras públicas

Sábado, 04.07.09

Na mesma entrevista ao i, Salgado fala ainda do TGV e dos autores do manifesto anti-obras públicas

 

Há quem pense - políticos e economistas - que elas são desaconselháveis não em si mesmas mas devido ao particular momento de crise internacional, endividando ainda mais um país cujo endividamento é alarmante. Apesar disso, sabendo isso, defende-as?

Todos os países europeus estão hoje no mesmo barco: com problemas de défice orçamental, de relançamento da actividade económica, etc. E todos têm tomado medidas concretas e também através dos respectivos programas de infra-estruturas.

Nenhum tem o nosso endividamento...

Mas repare que o risco-país português é hoje melhor do que muitos risco-país da Europa. Veja o valor dos CDS - Credit Default Swaps, que mede o seguro do risco. O nosso é hoje melhor do que o risco inglês, o espanhol, o italiano. Independentemente do nível de rating que tem - e acho que as agências de rating estão desfasadas em relação a este valor dos CDS, o que prejudica o país - Portugal tem demonstrado que vai ao mercado e consegue obter capitais. Mas há outro argumento: se não contribuirmos para o esforço europeu, se nos isolarmos, se nos acantonarmos e não fizermos nada. Há falta de recursos, sim, e o endividamento é elevado, mas é exactamente neste momento que os países europeus produzem os tais TGV e contribuem para as infra-estruturas...

A terceira auto-estrada para o Porto?

Não. Falo do TGV e do aeroporto. O TGV para Madrid é fundamental, ao contrário do que pensam os signatários do documento dos 30...

Prefere os signatários do outro documento?

Não. Mas já agora também lhe digo que alguns signatários do documento dos 30, também votaram contra a primeira ponte sobre o Tejo! A Ponte 25 de Abril!
 

 

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por sitiocomvistasobreacidade às 06:33

O abalozinho de Ferreira Leite

Sábado, 04.07.09

Em entrevista ao i, Ricardo Salgado fala sobre a crise internacional, ou sobre o abalozinho de terras, segundo Ferreira Leite:

 

Dadas as características desta crise internacional nunca esteve tão preocupado desde que está na liderança do BES?

Nunca vi uma crise internacional com a profundidade desta e julgo que na nossa geração ninguém viu. Talvez porventura só aqueles que se lembram da crise de 1929, que durou até 1933/34, quando Roosevelt chegou ao poder.

Se tivesse de fazer uma comparação, diria que hoje é pior?

Esta foi brutal. Porém, nos anos 30, os governos e os bancos centrais não sabiam como actuar perante a crise e tomaram medidas erradas. Numa altura em que era preciso contribuir para relançar a economia fizeram o contrário: procuraram manter o orçamento equilibrado nos Estados Unidos, o que agravou substancialmente a intensidade da crise. Dou-lhe um pequeno exemplo: nos EUA, nessa altura, o desemprego ultrapassou os 20%. Hoje estamos longe desse nível de desemprego - e 24 000 bancos foram à falência...

... voltando a hoje?

...esta crise foi profundíssima e começou no sector financeiro, enquanto a outra começou no mercado de capitais, onde a bolha existente rebentou e afundou esse mercado. A nova crise iniciou-se com um problema de credibilidade no sistema financeiro norte-americano, que rapidamente extravasou para a Europa e acabou por afectar o nosso país.

 

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por sitiocomvistasobreacidade às 06:26





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