Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

 



Arquivo

  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2014
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2013
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2012
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2011
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2010
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2009
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D


7 ideias para a Social Democracia no Séc XXI: O Poder económico subordinado ao poder político

Sexta-feira, 26.08.11

A actual crise mundial tem posto em evidência uma realidade que é totalmente nociva aos interesses geral e anti-democrática.

O poder político encontra-se subjugado ao interesse económico.   

Nos tempos recentes, somos bombardeados com comentadores a discorrerem sobre o que agradará ou desagradará aos “mercados”. “Os mercados querem que os Estados reduzam os défices”, “os mercados reclamam a flexibilização do mercado de trabalho”, “os mercados exigem maior atrevimento nas privatizações”. Tudo isto seria já por si preocupante, mas torna-se repugnante quando vemos a UE, por convicção, e Governos, por convicção ou por obrigação, a obedecer cegamente aos mercados.

Quem são esses mercados sem rosto, de quem ouvimos falar todos os dias, mas de quem tão pouco sabemos?

Quem são os dirigentes que comandam esses tais fundos de investimento, hedge funds, que tanto decidem nos nossos dias?

Que faz essa gente de produtivo, para além de ganhar dinheiro a rodos em transacções especulativas?

Que ligações têm ao poder político? Porque temem os políticos os mercados?

Porque ao fim de tanto tempo passado sobre a crise financeira de 2008 nada foi feito para pôr termo a esta economia de casino, termo sobejamente utilizado por Mário Soares, em que vivemos?

Tantas questões sem resposta, que a única conclusão que se pode tirar é que esta gente que ninguém conhece, que ninguém sabe quem é, que nunca obteve um único voto do povo, manda mais que qualquer político que, goste-se ou não, submeteu-se a votos.

A Social Democracia não pode pactuar com este jogo. No ambiente reinante, não é fácil lutar contra estes ditos “mercados”, mas se tal não é possível no actual contexto europeu, talvez seja possível com alianças com o outro lado do Atlântico, nomeadamente Brasil, onde a Social Democracia tem conseguido amplas melhorias nas condições de vida.

Outro sintoma da subserviência do poder político ao poder económico são os media. Na sua sabedoria, Mário Soares disse tudo numa recente entrevista ao Expresso:

"A liberdade está condicionada. Toda a comunicação social está nas mãos da direita. E está condicionada pelo sistema financeiro".

 

Os media marcam o ritmo de toda actividade política. É um fenómeno que se verifica em todo o mundo ocidental (por exemplo, Murdoch decide eleições no Reino Unido desde os anos 80 na era Thatcher).

Na minha opinião os media dominam a actividade política das seguintes formas:

1)     Decidindo eleições, denegrindo, achincalhando os adversários a derrotar (e por vezes uma foto vale mais do que mil palavras), e louvando, ou mesmo, inventando méritos do político predilecto.

A foto ilustra o que foram as eleições presidenciais de 2006.

 

Uma vergonhosa campanha, feita por diversos órgãos de comunicação social, que colocou Cavaco Silva na Presidência da República. Dessas eleições, foi também notável como a Comunicação Social conseguiu dividir os votos da esquerda, promovendo a candidatura de Manuel Alegre, que nos foi “vendido” como o candidato da liberdade, da cidadania. Já Mário Soares foi “vendido” como um homem caquético, fora de tempo, representante do caciquismo partidário. E claro, Cavaco “vendido” como o homem sério, de Estado, independente, que apenas responde pela sua consciência, para além de nos ser apresentado como um génio da Economia.

 

2)      Condicionando os políticos, que sabem quais as medidas e as ideias que devem defender para ficar nas boas graças dos media.

Aqui fiz referência, à forma como Murdoch influencia a política britânica, há décadas, e como Neil Kinnock foi derrotado, para benefício de Thatcher. A lição de Murdoch estava dada: para que o Partido Trabalhista voltasse a ganhar eleições no Reino Unido, teria de deixar de ser trabalhista. A mensagem foi apreendida rapidamente por Tony Blair, que inventou a terceira via, subjugando-se a uma doutrina liberal, ganhando com isso o beneplácito de Murdoch. Ganhar eleições voltava a ser possível para o Partido Trabalhista. 

 

3)       Moldando as opiniões públicas.

Se hoje, a sociedade aceita sem ira que os ricos fujam aos impostos, abrindo empresas em off-shores, com a maior da desfaçatez, enquanto que aos pobres e à classe média são exigidas mais e mais austeridades, muito se deve a uns media que levam a opinião pública pensar que “é da vida”. Se hoje se aceita a necessidade de flexibilização de leis laborais com um encolher de ombros, e se acredita até na sua necessidade para o bem geral, em muito se deve aos media, que dão amplo tempo de antena a comentadores supostamente independentes que batem nesta tecla até à exaustão. O mesmo quando se acha que os funcionários públicos são uma classe de preguiçosos, pois os media amplificam qualquer falha, ou gasto, de um qualquer serviço público, ao mesmo tempo que minimizam, ou escondem, as falhas dos prestadores privados. É também em grande medida por acção dos media que hoje se confunde o interesse de um qualquer empresário com os interesses do país.

 

O que fazer para mudar este estado de coisas, que levam a que os políticos estejam subordinados aos patrões dos media?

A pergunta é de difícil resposta e tem-me suscitado amplas interrogações. Certamente, que a última coisa que se pode fazer, é o que Blair fez, isto é, abraçar as causas liberais, para que pudesse ser eleito. Resistir a esta fácil tentação é o primeiro passo.

Não acredito num sistema totalmente (ou amplamente dominado) pelo Estado, pois é uma desleal vantagem para os políticos no poder (vide Madeira). Mas provavelmente ainda pior é a situação actual em que os media estão entregues em larga medida a grandes grupos económicos, cujos proprietários beneficiam largamente com a implementação de políticas liberais, como a flexibilização dos contratos de trabalho, ou a abertura a privados de sectores amplamente rentáveis como seja a Saúde.

A legislação aprovada pelo anterior Governo de Portugal, e vetada pelo Presidente da República, sobre a não concentração dos media poderá ser um princípio, mas não garante, por si só, a transparência e independência dos órgãos de comunicação social. A exigência de os Directores de jornais, jornalistas, comentadores, etc. fazerem uma declaração de interesses (afirmando quem apoiam, e o que apoiam) poderá ajudar a uma maior transparência neste sector vital para as democracias, que neste momento se encontra pervertido pela parcialidade dos media.

 

Navegação:

Introdução;

A Guerra e a Paz; A Ética; As Desigualdades Sociais; O Sector empresarial do Estado; A Saúde e Educação; O Reformismo; O Ambiente; O Poder económico subordinado ao poder político;

Conclusões.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por sitiocomvistasobreacidade às 18:52





Comentários recentes

  • Joao Saturnino

    Parabéns pelo seu blog, especialmente por este "in...

  • Frango Zappa

    Quanto custa o Mario?

  • E os Homens da Luta, por onde anda essa gente? E a...

  • cheia

    Tantos erros, e nem um culpado!

  • MCN

    O problema é a raqzão porque Afonso Camões não diz...